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07 maio 2012

Respeito

Qual o limite entre passividade e orgulho? Quando as vezes uma pessoa me agride de alguma forma e que sentindo-me incomodada preciso trabalhar a mágoa  (pra que não venha a ser psicossomática mais tarde) reflito infinitamente antes de abrir a boca pra contrariar esse pensamento alheio ao meu. Sinto que, como alfinetes - muito agudos e desnecessários as vezes- algumas situações são colocadas em nossas vidas. Aí vem um convívio nem um pouquinho adocicado e muito pelo contrário, impressionante aos nossos sentidos com sinestesia absurda. Ai! repito, ai! Não me resguardo em falsas justificativas ou piedades não cabíveis já que tenho consciência - em migalhas - do quanto sou medíocre e ignorante perante muita coisa. Eu erro, eu erro sentindo o que não queria sentir. Mas erro muito mais e acima de qualquer coisa não abreviando o incômodo que vai sim me fortalecer. Preciso muitas das vezes que fico com algo que não consigo engolir e que me deixa angustiada, colocar em letras o que meu peito sussurra aos berros à minha mente. Insanidade seria não dar ouvidos à dor. Ah, dor. Dor que vem da necessidade de aprender questionando o quanto eu não sei ainda diante de situações que preciso remediar. Até onde é oportuno abaixar a cabeça diante da ignorância e demência assustadoras que as pessoas demonstram ter? Penso que diante das coisas que aprendo e por respeito a cada gota de suor que meu corpo transpirou, assim como por respeito a todos os tombos que levei nessa vida, penso que, ora, ainda há muito o que discernir.

16 abril 2012

"If you are a bird, I am a bird."


Minha mente tem estado inquieta quando penso em alguns detalhes aos quais me detenho profunda e intensamente. Toda manhã quando estou em minha sala de aula, na Psicologia, observo de onde fico um fio de energia onde estacionam-se vários -muitos mesmo!- passarinhos. Ora, como consigo me sentir a vontade quando converso com eles, já sinto-me bastante amiga e mesmo íntima destes pequenininhos. São incríveis. Quando estou em profunda cisma sobre qualquer aspecto que insiste em confundir minha imaginação irrefreável olho à janela procurando-os.Ah quando eles não estão lá! Quando preciso que eles cheguem e se atrasam; Sinto-me só enquanto não pousam naquele fiozinho por um pouco. Ao observar que vieram alivio-me. Parece que posso respirar fundo e num suspiro esvaziar o que dói. Efêmeros esses meus amigos. Nunca os sei quem são, seus nomes, suas espécimes. Nunca. Mas são delicadíssimos e mesmo muito discretos. Colhem em minhas reflexões todo peso e angústia que nelas depositei até aquele momento sem reclamarem se é dor muita pra um passarinho só, ou se terão de trabalhar muito para que o vento aceite levar tantos ais revigorando-os em ar puro. Aí vem o suspiro. São tão breves nesse processo imenso e complicado que impressiono-me com sua rapidez. Quando penso que eles chegaram e respiro... nossa! O ar puro já chegou.

(obs.: olhem o beija-florzinho conversando com o passarinho do cabeçalho! )

27 março 2012

Abstração


Quando de manhã acordo de uma noite com horas contadas pro dia seguinte, fico pensando em muitas coisas que por vezes me angustiam. Caminho todo dia pra minha faculdade um pouco mais que 3km a pé. É engraçado  quando tem um percurso assim por fazer dia pós dia ( todos deveria ter no mínimo 2km diários!). Observo faces, expressões, comportamentos aleatórios e fico realmente em uma mar de questionamentos que fazem minha mente extravasar limites de possibilidades criativas - ah, já não é mais criatividade, tem ultrapassado esses limites.
Fico pensando o que leva as pessoas a passarem em suas vidas por algumas circunstâncias. Por que vejo sorrisos abertos ou rostos ansiosos ou desconfiados? Por que cada um carrega o que carrega e qual afinal a consequência de cada minuto que essas pessoas vivem?
Abstraindo um pouco minhas angústias, me permito sentir como se o próprio vento ou os pássaros estivessem me envolvendo. Sinto alívio quando penso em companhias, em companheiros assim!
Me dizem que sou sonhadora demais, que creio demais nas pessoas, sou muito otimista. Penso que não conseguem ver-me afinal. Declaro que acima de qualquer otimismo sou um ponto de interrogação. Constranjo-me diante de minhas curiosidades que me fazem ter peito dolorido as vezes por não ter soluções imediatas. Como então responder a pessoas que não questionam, não tentam entender mentes ou histórias de vida? Como explicar o que eu sinto por alguém se não busco raizes motivacionais àquela pessoa, ou se, simplesmente minha vaidade ou orgulho são suficientemente esbanjadores a ponto de não perceber o que eu passo pra quem está perto de mim, ou o que eu poderia fazer por alguém?
Tenho pensado muito na complexidade que envolve cada pessoa, cada história ou sentimento.
Crianças desnutridas, idosos invalidados pela sociedade, pessoas deprimidas, angustiadas, medrosas. O pior: medrosas em relação a opiniões.
Quando não se fere o limite do outro é bem possível compreender também nossos limites e fazer alguma coisa que amenize o que está ao nosso entorno ou tudo o que passa dentro de nós. 
Precisava falar. Tem um nó enorme dentro de mim hoje.

28 janeiro 2012

Alma

Enquanto meus pés sentem -descalços- folhas que se quebram em minúsculos estalos, procuro tocar com as pontas dos meus dedos o que de mais leve posso sentir. O vento que antes assoprava e em que momentos gritou meu nome sem que eu quisesse responder, as gotas não mui leves que me angustiaram e insistiram em cair sobre meu rosto; Vê que tem sido confuso e mesmo confidencialíssimo tudo isso que as vezes sinto? Um furacão que roça minha garganta e que, por vezes incontáveis engulo seco pra que não venha a tona. Acho que isso deve ser mais ou menos crescer.
Na minha falta de termos explícitos ou objetividade necessária procuro argumentos internos que me levam a calafrios. Correm um por um esses tremorezinhos por minhas vértebras e antes que a cervical seja tocada já passou a vontade de falar. Mas porque afinal gastar palavras com ignorantes, com infantis, com imaturos? Ah, mundo caminheiro- sem fim mesmo - que ousa mostrar em espelhos brilhantes o que nossas pupilas dilatam para não ver. Ah mundo cansado que precisa regenerar.  Terra querida, escuta que te quero tomar no colo, que te quero fazer acalmar as dores por vezes tão intensas. Não deveria, planeta meu, ser tão pequena por tanta dor que já sofreu. Mas ah, o tempo continua infinito e não cansa de dar tombos em quem insiste em fraquejar.
Ombros doem pra quê? Se a noite vem quietinha sibilando conselhos venturosos àqueles que se dispõem escutar. Tomo-te então pra mim, tempo que vai, e rastejo no que posso seus ponteiros pra que não me seja ignorada lição alguma, ainda mesmo que alfinetada.

27 novembro 2011

Egoísmo

Pensamentos não fazem bem se ao coração inquietam e martirizam. Não deviam haver asas então que suportassem vôos tão , por vezes, tenebrosos. Ah mentes inquietas, humanas falíveis, que julgam o outro e não ousam perdão. Por vezes a noite, quando as luzes já não estão tão, tão mais perto de mim, vasculho reminiscências de outros dias em minha tela mental. E que tela! Poderia eu pensar em paisagens ou contos sãos, mas muitas vezes me preocupo ou angustio demais com o que não sei se pode ou não acontecer. Filete de sonhos estão escassos em noites assim. Quase não vejo dentro desse breu inquietante os vaga-lumes que conquistei com minhas orações. Dói não é? Querer ser um só em meio a um milhão é irresistível e não convém. Não convém, menina, olhar só pro centro do seu corpo e pensar que dali partem todos os monstros devoradores de quietude.
Segredos sem fim transbordam das multidões. Se você reparar por segundos picados verá lágrima e dor também do outro lado da rua, também do bairro vizinho, também de outros destinos. Mas porque é tão aconchegante afinal se sentir um só? Ah! "Hoje não me contenho em queixas e minhas lágrimas evaporam no calor dos meus pensamentos agitadíssimos." dizia parte de mim outro dia dentro de outros dias.
Sabe, fica mais tranquilo se o ar que respiramos for igual ao ar que os outros respiram.

20 outubro 2011

Sementes

Meu bem,meu bem, vamos ver até quando a grama ainda se deixa molhar sem que as flores brotem. Olha só, pequenino! Escuta! A chuva não impedirá semente alguma de ser lançada ao solo da apatia. Quanta tristeza percebemos daqui! Daqui de onde as vezes nossos peitos recebem filetes de consciência e de onde percebemos que antes de qualquer impedimento existe o próprio eu. O próprio orgulho ferido que não quer ser pisoteado por verdade alguma e que grita - estridente- coisas vãs. Amor, ah amor, respira um pouco mais com a fronte ao teto que lacrimejando nosso alívio ainda tem estrelas sem fim. Mas por que? Misericórdia, dos bons anjos ou sementes que já perdemos? O tempo não deixa de passar pra nós nem pra eles: então respira e espera. Espera e se aconchega nos aprendizados seus que já são princípios de vida silenciosa que sufoca qualquer grito orgulhoso. Canta mais vezes sibilando com o vento que não te amedronta mais e deixa que sua consciência impregne todas as notas dessa oração. E espera.


21 julho 2011

Bem no fundo

Águas que vão e voltam formam poças de reflexos que são só nossos. Nossos olhos, nossas mentes são necessariamente convocados a fundo e, em uníssono formam orvalho que escorre por nossas faces. De onde essa música vem? Das raízes que árvores que não vemos ou no vento que sibila insistente, deve ser. O frio que as vezes me abraça e que zig-zag-zeia no sem fim dos meus pensamentos tem hábitos estranhos e inconstantes. É... É mesmo verdade que personalidade é tesourou que se constrói tirando arestas.  Não se pode sentir o que o outro acha certo nem mesmo admitir que o que nós achamos é o melhor - a poça que mira cada um, mesmo que no lodo , reflete imagens que não são iguais.
Já parei a noite pensando no que afinal é o certo. Tentar enxergar o que não convém ou fazer de desentendido tocando o barco da vida adiante. Afinal, não é lícito condenar o que a gente não tem certeza sentir com precisão. Não é certo inclusive querer que o orvalho de nossos olhos e os machucados que, quantas vezes tomaram nossos joelhos, sejam compreensíveis ao que alheio a nós é.
Certo então de que nossas vidas tem rumo solitário mesmo estando em paz no meio de uma porção de sentidos, sentimentos e pulsações,  o que vale mesmo é esperar que exemplo pós exemplo, valha a pena o dia de amanhã.