09 dezembro 2011

Becoming Jane


Becoming Jane é sem dúvidas um dos meus filmes mais preciosos. Por muitos de nós estarmos então de férias, escolhi mencioná-lo aqui no Lullaby para que possa entrar este meu querido à lista dos filmes especiais também pra vocês!
O filme narra a história de Jane Austen, escritora inglesa na cidade de Winchester. Com delicadeza e ironia sutis a historia da moça Jane é envolvida por um amor tão belo quanto dolorido. Não vou entrar em detalhes  ou descrever demais pois que não acredito ser saudável ficar contando histórias antes mesmo de vê-las.
Pra quem conhece ou já leu algum dos deliciosos livros de Austen, sabe que seus personagens tem problemas, dificuldades, mas finais doces e felizes. É o tipo de livro que incita raciocínio sentimental; o filme, não deixa escapar um milímetro dessa vontade que a escritora tem de fazer que as coisas corram bem. Racionalidade, verdades, julgamentos,opiniões, condutas erradas ou não, delicadeza e sentimentos: se você pensar nisso tudo em um turbilhão de frases bem construídas e sentimentos elaborados chegará a uma parcela de entendimento do que essa doce escritora faz com palavras.
Meu carinho aqui a Jane Austen! Espero que vocês tenham o prazer de assistir este filme,
Gabi

27 novembro 2011

Egoísmo

Pensamentos não fazem bem se ao coração inquietam e martirizam. Não deviam haver asas então que suportassem vôos tão , por vezes, tenebrosos. Ah mentes inquietas, humanas falíveis, que julgam o outro e não ousam perdão. Por vezes a noite, quando as luzes já não estão tão, tão mais perto de mim, vasculho reminiscências de outros dias em minha tela mental. E que tela! Poderia eu pensar em paisagens ou contos sãos, mas muitas vezes me preocupo ou angustio demais com o que não sei se pode ou não acontecer. Filete de sonhos estão escassos em noites assim. Quase não vejo dentro desse breu inquietante os vaga-lumes que conquistei com minhas orações. Dói não é? Querer ser um só em meio a um milhão é irresistível e não convém. Não convém, menina, olhar só pro centro do seu corpo e pensar que dali partem todos os monstros devoradores de quietude.
Segredos sem fim transbordam das multidões. Se você reparar por segundos picados verá lágrima e dor também do outro lado da rua, também do bairro vizinho, também de outros destinos. Mas porque é tão aconchegante afinal se sentir um só? Ah! "Hoje não me contenho em queixas e minhas lágrimas evaporam no calor dos meus pensamentos agitadíssimos." dizia parte de mim outro dia dentro de outros dias.
Sabe, fica mais tranquilo se o ar que respiramos for igual ao ar que os outros respiram.

20 outubro 2011

Sementes

Meu bem,meu bem, vamos ver até quando a grama ainda se deixa molhar sem que as flores brotem. Olha só, pequenino! Escuta! A chuva não impedirá semente alguma de ser lançada ao solo da apatia. Quanta tristeza percebemos daqui! Daqui de onde as vezes nossos peitos recebem filetes de consciência e de onde percebemos que antes de qualquer impedimento existe o próprio eu. O próprio orgulho ferido que não quer ser pisoteado por verdade alguma e que grita - estridente- coisas vãs. Amor, ah amor, respira um pouco mais com a fronte ao teto que lacrimejando nosso alívio ainda tem estrelas sem fim. Mas por que? Misericórdia, dos bons anjos ou sementes que já perdemos? O tempo não deixa de passar pra nós nem pra eles: então respira e espera. Espera e se aconchega nos aprendizados seus que já são princípios de vida silenciosa que sufoca qualquer grito orgulhoso. Canta mais vezes sibilando com o vento que não te amedronta mais e deixa que sua consciência impregne todas as notas dessa oração. E espera.


09 setembro 2011

Em busca de sentido


Li um livro que, de tão belo, quero que vocês possam ler também! Chama-se "Em Busca de Sentido" do senhor Viktor Frankl. Psiquiatra e vivendo na Alemanha nazista da Segunda Guerra, o autor narra a experiência de "não entregar os pontos" em um campo de concentração de Auschwitz. Subnutrição, tifo exantemático e perda de uma identidade material não são motivos no entanto pra não querer continuar seguindo em frente. A partir daí descreve sua psicoterapia, a Logoterapia, que quer dizer, terapia do sentido. Mas que sentido é esse? No campo de concentração , ganhavam-se alguns cigarros por trabalhos extras com bônus dados pelos oficiais da SS. Estes cigarros eram como "moedas" a serem trocados quem sabe por um pedaço de pão ou por um pouco mais da sopa rala que era distribuída. Sabiam no entanto que aqueles companheiros que perdiam esperanças morriam em pouco tempo : começavam a fumar os cigarros. Angústia de estar longe de quem se ama, dormindo em posições desconfortáveis e ao lado de outros homens também reféns da situação em meio a palha, urina e fezes. Nenhum resquício, papel, aliança ou documento para identificação. Trabalhos forçados e sob extremos castigos aplicados por Capos (homens selecionados pela SS por serem crueis e frios) e inexistência de qualquer hipótese de sair daquele lugar algum dia vivo.
A Logoterapia no entanto aponta para uma luzinha, mesmo que tênue nesse furacão de angústia e medo. Todos aqueles que estão ali podem passar a pensar em situações paradoxais que os alivie de certa forma. Certa vez, um clínico geral já de idade, procurou o auxílio de Frankl pois havia perdido o sentido de continuar vivo. Sua esposa, companhia primorosa e motivo de sua paz havia falecido e não conseguia se consolar por nada, caindo em depressão.
- "Ah," disse ele, "isso teria sido terrível para ela; ela teria sofrido muito!" Ao que retruquei: "Veja bem, doutor, ela foi poupada deste sofrimento e foi o senhor que a poupou dele; mas agora o senhor precisa  pagar por isso sobrevivendo a ela e chorando a sua morte."
A Logoterapia proposta por Viktor Frankl mostra que, de uma forma bem simples e citando o senhor Nietzsche que  "Quem tem por que viver pode suportar quase qualquer como.". E esse como pode ser um trabalho, uma distração, um amor ou mesmo a solução de um sofrimento ou angústia.
Por isso, era também necessário olhar de frente a situação, a avalanche de sofrimento, apesar do perigo de alguém "amolecer" e quem sabe, em segredo deixar as lágrimas correr livremente. Não precisaria envergonhar-se dessas lágrimas. Eram o penhor de ele ter a maior das coragens - a coragem de sofrer. Mas pouquíssimos sabiam disso, e só envergonhados admitiam ter-se extravasado em lágrimas de novo. Certa vez perguntei a um companheiro como fizera desaparecer os seus edemas de fome, ao que ele confessou: "Curei-os chorando..."
Me fez bem, acredito que fará bem a vocês ;)
Beijinho,

(Deixo aqui todo meu carinho por vocês que comentam aqui e que me fazem muito bem! Considerem este desenho que fiz como um presente de gratidão, meus amigos tão especiais!)